quinta-feira, outubro 07, 2010

As super meninas

Se muitas vezes voamos alto, elas são as nossas asas, a estrutura para que no final do dia aqueles corpos acinzentados e abacalhoados sintam segurança e gritem vitória. É verdade que às vezes parecem esquecidas, mas como algo que transportamos às costas e não vemos, também elas se fazem sentir como que um peso se não funcionarem bem. Na rádio alcatifa fala-se de zunzuns, de ruídos, mas o que me chega no meio deste quebra cabeças de monta ficheiro, desmonta ideia, apresenta solução, reformula apresentação, são saraivadas de risos ou sorrisos que animam o ar, às vezes tristemente de entrada forçada, cimentados em olhares simpáticos. É um privilégio e alegria sentir esta companhia feminina como as sombras do dia a dia.

 A mulher dragão, a analista de métodos vermelhos, a sisuda simpática, a incansável bibliotecária, a calada curiosa, a guardiã da chave falsificada e a inflexivel mulher de borracha, fazem delas uma equipa de super heroinas invenciveis por entre a escuridão dos processos, procedimentos, análises, mails e outros que tais Kryptonites.

Sei que não ofereço bolas de berlim ou que nem distribuo chocolates e que já devo almoços nos Açores e na Madeira, para além de desgastar as colegas de carteira que indirectamente se sentem afectadas psicologicamente com toda a papelada, trabalho e visitas frequentes que faço ou arrasto. Mas, se às vezes certas linguas são lâminas por oferendas de sorrisos como meio de pagar a minha divida de dedicação, com doces estaria a amargar a boca de quem tem os cotovelos dilacerados de preconceito e a procurar motivos para quem possa ter no sangue o gene da coscuvilhice novas maneiras de alimentar a sabedoria dos ignorantes.

A minha sentida e sincera vénia às super meninas.

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